Você acredita em milagres?

Imagem de art, pink, and aesthetic
Você acredita em milagres?
No meu último post, eu mencionei a possibilidade de um milagre que pudesse realocar minha vida nos eixos. Milagre ou acaso, eu entrei na faculdade. Sim. Passei. Curso de Direito. No momento em que estou escrevendo isso, se passaram seis meses, ou seja, um período inteiro. Passei direito em tudo, mas calma, não é motivo pra ficar muito feliz porque até que é comum passar em tudo no primeiro período. Agora no segundo... imagino que o bicho pegue. E pra piorar, a reputação dos professores não ajuda muito.
Agora, se todo o meu sofrimento na última postagem se resumia ao fato de eu ter achado que não passaria pra nenhuma faculdade, por que eu não pareço estar tão animada ou feliz em voltar para dizer que eu passei? Bem... são muitos pontos, mas acho que todos levam para a mesma conclusão: depressão.
Inclusive, a mesma depressão que me fez sofrer em 2016. Naquele ano ela foi acentuada pelo momento em que eu estava vivendo: sem faculdade, ralando no pré vestibular, sem ver os amigos etc.
Quando tudo aquilo passou e os vestibulares já tinham sido feitos, confesso ter melhorado bastante. Especialmente depois de ter descoberto minha nota na redação do ENEM. Foi um grande dia. Me lembro de ter tido um luau de aniversário de um grande amigo naquele dia, foi incrível. Depois daquilo, as coisas só melhoraram. O período de inscrição no curso chegou, eu estava dentro das vagas. Ansiedade, nervosismo, felicidade, ansiedade, nervosismo, felicidade, ansiedade, nervosismo, felicidade, ansi... deu pra entender, ne? Resultado chegou. Passei. Paralisei.
Foi um sentimento estranho.
Me senti orgulhosa, contei pra minha mãe. Me livrei de um peso nas costas. Não era mais uma fracassada. Eu tinha algo a dar. Algo que fizesse meus pais se orgulhassem.
Entretanto, foi BEM diferente do que eu imaginava. Quando o momento da aprovação chegou, eu simplesmente não senti a festa dentro de mim, foi como se aquilo se mostrasse pequeno, não tão importante nem tão sensacional quanto parecia na minha cabeça. É certo que, para muitos outros estudantes que passaram, foi sim sensacional. Mas não para mim. O que aconteceu? A depressão estava tão impregnada em mim que me impediu de sentir a mais pura alegria naquele momento? O que aconteceu?
Com o passar dos dias, esse sentimento de felicidade foi se desenvolvendo. Era bom me imaginar estudando Direito. Era bom contar para as pessoas. Era bom falar com os veteranos e participar das brincadeiras. Era bom conhecer os outros calouros. Muito bom. Eu estava feliz.
Resolvi que não participaria dos trotes. Fiquei assustada e um pouco desanimada.O motivo da desanimação foi aquilo que viria a atormentar todo o meu semestre: baixa autoestima. Se você estiver se perguntando o que isso tem a ver, é porque certamente você não viu o perfil das pessoas que estudam naquela faculdade. Bonitas. Saudáveis. Ricas. Populares.
Não me culpe por me sentir fora do grupo.
Quando as aulas começaram, colhi os frutos de não ter ido nos trotes: impopularidade. As pessoas já se conheciam, já tinham vínculos, grupos, panelinhas, admiradores etc etc. Eu não era ninguém. Além de não ter uma beleza que pudesse consertar a situação.
As semanas foram passando e eu continuava sendo ninguém. Solidão, baixa autoestima...
Comecei a me aproximar de uma menina, que depois, virou um grupo com quatro meninas, contando comigo. Foi muito bom por um tempo poder ir pra faculdade sabendo que teria algum lugar para me encaixar. Eu estava com elas. Fomos a nossa primeira festa na faculdade. Terror. Não, a festa não foi ruim. O terror foi exclusivamente meu. Todos em volta eram bonitos e eu não me sentia bonita, me sentia feia, incompatível com todos. Isso não estragou o meu dia por completo, mas foi ruim me sentir assim. As semanas foram se alastrando e essa autoestima cada vez mais diminuindo. Choro no banheiro. Me afastei das meninas. Sentia que era muito estranha para andar com elas. E além disso, não tínhamos tanta química.
E também teve as paixonites. Outras decepções. Já que não me sinto nem um pouco bonita o suficiente para alguém daquele lugar.
Parece que no final tudo se resume a isso. Sua aparência.
No final do semestre, consegui me aproximar mais da minha turma (momento que ainda estou vivendo), mas esses problemas comigo mesma continuam. São tantas coisas que poderiam ser melhores em mim. TANTAS.
Tenho pensamentos suicidas as vezes. Não decidi o que fazer. Vou levando.
Próximo período está para chegar, espero que a mesma fonte de milagre que me fez passar no vestibular, consiga me ajudar com isso também. Um milagre que me torne bonita.
Uma reflexão vazia pode fazer parecer que esse meu problema seja fútil ou uma besteira. Mas ser insegura, paranóica, sem confiança, sem autoestima, sem vontade de socializar com vergonha da aparência É UM INFERNO. UM FARDO. UM SOFRIMENTO. Não gostar de você mesmo é algo que não desejo a ninguém.Volta e meia me sinto atraente, bonitinha. Mas na maioria das vezes eu sinto vergonha de mim mesma.
Desabafo feito.

Nenhum comentário: